sábado, 4 de maio de 2013

Sábado de primavera com cheiro a verão



Centro Cultural de Belém.
O Tejo pentaidratado a rivalizar com o céu quase anidro.
Os azuis que se tocam na linha cobalto da foz.
Os verdes imensos a bordejarem ambas as margens.
Um farol adormecido à luz do dia.

E umas pernas cansadas de calças e botas. As minhas pernas. Tão brancas que se confundem com centenas de outros pares de pernas que vieram de longe. Nas lojas, cumprimentam-me em inglês. Na rua, ninguém me solicita qualquer orientação. Sinto-me estrangeira na minha própria cidade. Como se tivesse apanhado um avião e gozasse, já agora, as tais merecidas férias. Que linda que é Lisboa sob este sol de verão, que só não o é no calendário. Luminosa, insinuante, única. E segura. Nem uma mochila desbotada, esquecida em frente da esplanada, é capaz de provocar qualquer receio e destruir o prazer das conversas deitadas fora, em redor, ou da degustação de uma pequena garrafa de tinto, na mesa adjacente. Parece que todos os sorrisos do mundo aterraram em Lisboa.

Por mais voltas que dê ao mundo, não há cidade como esta!


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