domingo, 15 de janeiro de 2012

Sábado Além Tejo


Saímos da casa com nevoeiro e frio.
E bem agasalhados.
Camisolas sobre camisolas, cachecóis, luvas, meias de neve.
Porque o Alentejo interior é gélido nesta altura do ano.
Contudo, o cenário alterou-se drasticamente perto de Palmela.
O céu foi rasgado pelos primeiros raios de sol.
Um sol tímido mas afoito.
E o dia prometeu, logo ali, mais do que quatro paredes.

Chegámos ao destino.
Abrimos as portadas.
O cão aos saltos.
O gato a miar.
A vizinha a acenar.
A avó a delirar com a surpresa.
As laranjeiras carregadas.
As couves "rendilhadas".
As lagartas bem alimentadas.
(ouvi dizer que vão transformar-se em lindas borboletas)
As favas semeadas.
As ervilhas rebentadas.
De repente... o impulso!
E se almoçássemos cá fora?
Este sol maravilhoso...
Quentinho...
Esta luz etérea...
E assim foi!
A mesa e as cadeiras da cozinha passam para o quintal.
O frango, as batatas fritas, o pão e a salada também.
Tiro uma camisola, depois outra... e fico apenas com um body cinzento.
Arregaço as mangas e parece que é primavera.
Nem uma aragem.
Felizmente, nem uma formiga, uma mosca ou uma abelha.
O quintal "só para nós"!
E para o cão, que não para de abanar o rabo às futuras sobras de frango.

De tarde, o marido vai estudar para o seu exame.
Senta-se no meio do quintal, atrás do poço e do aloé, entre uma laranjeira e uma romãzeira.
Eu prefiro apanhar as ervas daninhas.
Calço as luvas.
De borracha, grossas, para as urtigas não me vencerem.
Passo 2 horas a "desintoxicar" os alegretes.
E, depois, pego numa enxada e vou "capinar".
Arranco muitas ervas de 30 e 40 cm de altura.
Ganho uma bolha na mão.
Mas queimo muitas calorias.

O dia acabou com um belo lanche, sob os últimos raios de sol.
E o regresso a casa.
Mais feliz, mais serena, mais saudável.
Com um saco cheio de laranjas e tangerinas.
E uns quantos ovos do campo.

Porque é que a vida não é sempre assim?
SIMPLES





Sem comentários: