quarta-feira, 20 de abril de 2011

Linha da Vida

Observo as minhas mãos.
São uma parte de mim que conta muitas histórias.
E todas na primeira pessoa.
Já não são aquelas mãos pequeninas, frágeis.
Os dedos alongaram-se e ganharam uma aliança.
As peles roídas deram origem a unhas encarnadas.
A textura de porcelana transformou-se num mapa de aventuras:
Um polegar com dois pontos.
Um médio com uma linha fina, perpassada com mais quatro.
Um anelar com um simples apontamento cicatrizado.
Os três, resultado de uma queda com um copo de vidro na mão!
Depois, uma queimadura de 1 cm de diâmetro.
Herdada de um momento guloso, confecionando rebuçados.
Ainda algumas batalhas perdidas com o ferro de engomar!
E uma linha ganha às custas da lâmina afiada de uma tampa de lata de atum.
E nem vale a pena falar da outra mão!
Gosto das minhas marcas.
São tatuagens da vida.
Únicas.
São baús de memórias.
Irrepetíveis.
São um vetor de conflito com a idade.
E de reconciliação pelo prazer de estar viva.

Se eu podia não ter umas mãos tão marcadas...?
Poder, podia; mas não seria a mesma pessoa!

2 comentários:

Cris disse...

Curioso este teu post :-)

Gostei muito!

E tens toda a razão - as marcas são tatuagens das nossas vivências :-)

Beijocas.

Nane Cabral disse...

Uma ótima páscoa! Tem sorteio no meu blog, passa lá. Beijinhos, Nane www.vovoqueensinou.blogspot.com